quarta-feira, julho 21, 2004

atiro pétalas ao vento na noite e partilho o seu enlevo




A casa onde às vezes regresso é tão distante

da que deixei pela manhã

no mundo

a água tomou o lugar de tudo

reúno baldes, estes vasos guardados

mas chove sem parar há muitos anos



Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai

Uma viagem se deu

Entre mãos e o furor

Uma viagem se deu: a noite abate-se fechada

Sobre o corpo



Tivesse ainda tempo e entregava-te

O coração


José Tolentino Mendonça


  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...